Harppia – 7 (1987)

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4a4e7-downloadpic3Curiosidades à parte, acerca do titulo (sete músicas no disco, sete letras no nome da banda), e do novo ‘line up’ (restando apenas Tibério da formação anterior) temos aqui um ótimo Metal cantado em português, feito para nos cativar durante toda a sua curta audição. Destaques são vistos nas faixas “Na Calada Da Noite”, “Magia Negra”, “Balada” (conduzida por violão) e “AIDS”, que nos dizem tudo em suas letras bem encaixadas e com instrumental afiado. Passando de temas melodiosos até os mais acelerados, não deixe de conferir também “Voz Da Consciência” e “Guerras”, que são exemplos claros do que disse. Os vocais ficam a cargo de Percy Weiss, ex Made In Brazil.

Harppia – A Ferro e Fogo (1985)

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4a4e7-downloadpic3Falar do Harppia é falar da história do Heavy Metal tupiniquim. E este, como muitos apontam, pode ser dividido em antes e depois do primeiro Festival Rock In Rio, em 1985. Sim, porque, ao trazer no Brasil atrações como Iron Maiden, Ozzy Osbourne, AC/DC, entre outras, houve enorme impulso para surgimento de centenas de bandas novas locais. E o Harppia, banda paulistana fundada em 1983, pode ser colocada entre os precursores, isto é, aqueles que surgiram antes deste evento. Na verdade, eles começaram com o nome de “Via Láctea”, ainda em 82. No ano seguinte, já com o nome “Harppia”, adotaram o símbolo da ave metalizada que se tornaria um mascote oficial. O Metal da época era bem diferente (era o Heavy tradicional) e a proposta do Harppia era tocá-lo cantando letras em português (ninguém nem sonhava em atingir o mercado internacional, então era natural compor em português). Junte a isto o contexto do país sob o regime militar (pense: censura), vinis que eram lançados por aqui tinham qualidade péssima e capas mutiladas, faltava informação, havia preconceito, dificuldades mil etc. A formação era Jack Santiago (vocais), Hélcio Aguirra (guitarras, que depois lideraria o “Golpe de Estado”), Marcos Patriota (guitarras, ex-Aeroplano), Ricardo Ravache (baixo, ex-Aeroplano) e Zé Henrique (bateria). Logo, a banda começou a chamar a atenção e ganhou destaque para os fãs do Rock pesado. Em 1985, Tibério Correa Neto substituiu Zé Henrique na bateria, trazendo experiência como produtor musical/artístico e empresário. Ainda neste ano, eles receberam proposta da gravadora “Baratos e Afins” para participar com uma faixa naquela que seria a primeira edição da coletânea “SP Metal” (Hélcio Aguirra era amigo de Luiz Calanca, dono do selo). No entanto, acreditando no potencial e na qualidade das canções que tinham, Tibério fez contra-proposta ousada: a gravação de um álbum somente do Harppia. O resultado foi o EP “A Ferro e Fogo”, registrado em dois dias de trabalhos ininterruptos. Foi um marco do pioneirismo: um EP (coisa rara no país), ainda mais de Heavy Metal. Era um trabalho apaixonado, de amor ao Rock, emulando os heróis internacionais. Claro, no futuro, o Brasil até ficaria mais conhecido por algumas bandas de Metal extremo, que ganhariam visibilidade no exterior. Mas, o Harppia precisa ser visto no contexto doméstico e seu papel de grande valor ao despertar e provar que era possível tocar e gravar Heavy Metal aqui. A banda focou no estilo clássico (pense em Iron Maiden), com ênfase nas twin guitars, ritmos galopantes, melodias empolgantes, enfim, aquela atmosfera maravilhosa da NWOBHM (“New Wave Of British Heavy Metal”) que tanto marcou época em mentes e corações. Os vocais podiam chocar num primeiro instante (por causa do português), mas logo convenciam pela performance intensa e apaixonada. O refertório era ouro puro: no lado A, “Harpago”, “Salém (a cidade das bruxas)” e “Náufrago”; no lado B, “A Ferro e Fogo”, “Incitatus” e “Asas Cortadas”. Surpresas: a ótima qualidade das canções (com passagens, evoluções e execução excelentes, demonstrando criatividade) e os lindos solos de guitarra (com desenvolvimento melódico e grande destreza nas linhas de notas e ideias). A produção não era lá essas coisas (deixando o som meio fino), mas a execução instrumental era estupenda. Riffs pesados, simples, para grande impacto, sem qualquer tendência (como acordes dissonantes ou sinistros) que levariam outras bandas rumo à evolução do Metal (como aconteceu com o Sepultura e o Krisiun, que foram catapultados ao estrelato internacional). Podia soar como uma homenagem aos ídolos, mas não se podia negar que ficou boa demais e no nível deles.